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Dica de leitura: Brasil em Tempo de Cinema

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Brasil em tempo de cinema - Ensaio sobre o Cinema Brasileiro de 1958 a 1966 - Jean-Claude Bernardet

Terminei hoje a leitura de Brasil em Tempo de Cinema e, com tudo fresquinho na cabeça, não resisti e resolvi vir recomendar.

Neste livro, Jean-Claude Bernardet analisa a produção cinematográfica do Brasil durante o período de 1958 a 1966, fazendo um paralelo do que representavam os personagens e os contextos desses filmes em uma sociedade em pleno Golpe Militar de 1964.

O livro é escrito com muita subjetividade, Bernardet colocou muito de seus anseios nele e, para quem se identifica como eu, dá vontade de sentar em uma mesa de bar com o autor e iniciar uma interminável conversa sobre a situação do cinema brasileiro da época e no que isso repercute na atualidade. Mas como eu não acredito nisso de “tudo começa em uma mesa de bar”, o material deve ser levado muito mais a sério e deve ser expandido para as mesas de estudo, universidades, debates, culminando no set de filmagem. Não há como não se questionar sobre o seu papel como cineasta e com certeza esta leitura vai me influenciar em meus próximos trabalhos.

Segundo o posfácio de Carlos Augusto Calil, o livro é a tese universitária de Bernardet que afirma: o cinema brasileiro é uma manifestação feita da classe média para a classe média, e não para o povo como pregavam os cinemanovistas. Ou seja, a culpa do cinema brasileiro não ser popular entre o público não se devia apenas aos problemas de distribuição. A linguagem não estava estabelecendo comunicação com seu principal alvo.

A ousadia dessa afirmação origina discussões até hoje e nos faz refletir sobre o Cinema da Retomada, sobre o quanto nos aproximamos e permanecemos distantes de uma linguagem que dialoga com público e crítica. Podemos analisar uma safra mais atual, como Cidade de Deus e Tropa de Elite e notar o quanto contribuíram para a elaboração de personagens dúbios e bem construídos, para um ritmo e linguagem que fez contato com o grande público. Mas uma analogia mais profunda é assunto para outro post.

O livro levanta também uma nova perspectiva sobre o cinema que retrata o sujeito da classe média, o homem que oscila, procurando a que se prender, em que acreditar e que escapa a duras penas da desilusão e do marasmo social. O artista (também pertencente a essa classe), fixou-se tanto em retratar o povo que se esqueceu de si e de seus maiores conflitos. Nos capítulos finais, somos incentivados a seguir esse tema de autoconhecimento através de exemplos de filmes precursores nessa abordagem: São Paulo S.A. (Luiz Sergio Person, 1965) e O Desafio (Paulo César Saraceni, 1965). Dessa forma, abre-se espaço para a liberdade de expressão, sem o estigma de fazer filmes apenas para conscientização popular. Quanto mais sincera for nossa busca por nós mesmos, mais verdadeiro nosso retrato na tela.

Brasil em tempo de cinema é uma bibliografia como poucas sobre a tradição cinematográfica do país. Leia disposto a enxergar o cinema brasileiro e a você mesmo de outra forma.

O Leitor que não Muda

sexta-feira, 9 de abril de 2010

filme_o-leitor_cartaz2O filme “O Leitor” de Stephen Daldry, adaptação do livro homônimo de Bernhard Schlink, retrata a conturbada história de amor de Michael e Hanna, que inicia com uma grande diferença de idade; Michael tem 15 anos e Hanna 36. O relacionamento é uma troca fria de favores: Ele transmite cultura à companheira e ela lhe ajuda com amadurecimento sexual e psicológico. No entanto, após um verão de relacionamento intenso e submisso, Michael vê-se abandonado por Hanna, aparentemente sem motivo algum.

Anos depois, Michael, agora estudante de Direito, reencontra-a em um tribunal que acusa antigas guardas nazistas principalmente pela morte de aproximadamente 300 mulheres judias. E é aí que a história degringola.

A obra literária já possui problemas de narrativa, pois o drama criado na primeira parte do livro não corresponde emocionalmente às resoluções que seguem.
O cerne do problema está no protagonista pouco ativo, Michael, que não persegue seu objetivo.
Está certo que a própria história impõe que o personagem é covarde, mas a falta de transformação moral do protagonista é o que derruba a tensão bem construída no início do livro ou do filme.

A adaptação cinematográfica peca no mesmo aspecto. Existiram tentativas do roteirista de elaborar uma leve mudança no caráter de Michael, no entanto, as alterações não são suficientemente fortes para explorar a dramaticidade que poderia haver.

A ideia central do mistério que envolve a personagem e de sua condenação, pode ser considerada banal, quando ela ou Michael poderiam muito bem entrar em acordo e contá-lo na corte. No filme há uma tentativa de fazer com que o personagem tente conversar com Hanna, orientado por seu professor de Direito que isso era o certo a fazer, mas a covardia não o deixa realizar o ato.

O pior é que no livro isso nem é feito. O protagonista vai pedir conselhos ao seu pai se deve contar à corte sobre o segredo dela ou não, seu pai lhe diz que não e ele não vai. Ora, se isso é jeito de se fazer uma história, um personagem passivo sem atitude nem para dar um clímax ao enredo.

Apesar de adotar o roteiro clássico e não conseguir cumpri-lo, pode ser que o filme seja realista, verossímil com o mundo real. Pois existe a possibilidade de irmos ao cinema para ver alguém mudar apenas porque nós não mudamos.

Crepúsculo: Livro x Filme

segunda-feira, 2 de março de 2009

Existe uma regra quase inquebrável que diz que um filme nunca se iguala ao livro. Pois bem.  Até pouco tempo não tinha presenciado nada que contextasse essa regra. Realmente, mesmo que o filme seja divino o livro é sempre melhor. Isso se prova com toda a série Harry Potter, Entrevista com o Vampiro talvez, embora o filme seja ótimo,  O Código da Vinci, etc. Mas Crepúsculo me surpreendeu.

Li o livro sem muito deslumbre e sem ser afetada pela modinha ” Twilight” do momento. Achei uma história boa. Não espetacular, mas boa. O que estragava um pouco era a linguagem mela-cueca usada pela autora. Talvez para dar mais ênfase que era uma garota apaixonada que narrava a história, em todo o caso, me pareceu que da metade do livro pro final, não se passava uma linha sem a Bella dizer o quanto o Edward era lindo, charmoso, misterioso, etc, etc.

Essa isca para pescar leitores adolescentes (embora eu seja adolescente) não me agradou muito. Poderia ser dado muito mais valor a outras questões psicológicas e ao suspense que falta na história. Eu não gosto de histórinhas sensacionalistas de aventura, mas a aventura em uma história com personagens imaginários como vampiros é muito necessária. É ela que faz a gente devorar um livro nas partes finais e decisivas.

Mas que ninguém entenda mal, eu não estou julgando a série toda pelo livro de estréia que geralmente tem certos defeitos ou não se comparam com os seguintes. Citando  como exemplo novamente o Harry Potter e a Pedra Filosofal. Esse livro foi o suficiente para render milhares ou milhões de fãs da saga, mas quando comparado com os outros percebe-se uma grande evolução na história.

É normal, o livro de estréia é quase que um teste, um experimento para ver como o público vai reagir e quando tem uma boa resposta é um ótimo sinal.

 twilight3.jpg Twilight Movie Poster picture by iconswimming

Mas voltando à comparação do livro com o longa-metragem, eu estava meio hesitante para ir ao cinema ver Crepúsculo, justamente por achar que o filme seria muito pior, mas parece que os roteiristas, diretores e toda a equipe de filmagem captou o que faltava na história original: Suspense.

No filme, o vampiro rastreador assassino não aparece assim num passe de mágica como no livro. Acho que compreenderam que ele é um personagem importante, merecia mais que aparecer assim do nada, precisava de uma introdução. E essa introdução se dá mostrando os ataques e as investigações da polícia sobre algumas mortes que estão ocorrendo nos arredores da cidade. Dessa forma, a história ficou muito mais centrada, com maior entendimento de toda a perseguição que a Bella é vítima.

No cinema é comum ver a questão de relacionamentos ressaltada para chamar mais a atenção do público, mas quando o assunto principal já é a relação amorosa não é necessário tanto destaque, outros fatores também fazem um bom filme.


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