E então, gente depois de anos, volto com um post muito bacana sobre a minha participação como júri estudantil representante da ULBRA no 38º Festival de Gramado.
Sobre os prêmios principais do festival, já era esperado que o filme Bróder de Jeferson De faturasse melhor filme e melhor direção. O longa realmente vai além do tão rotulado “filme favela” e, embora tenha me deparado com opiniões contrárias, é o que mais se comunica com o público, além de ser um filme com o perfil do festival.
Esse foi o único prêmio previsível, pois depois as surpresas tomaram conta. Melhor ator para Caio Blat em Bróder, prêmio especial do júri para O Último Romance de Balzac, melhor atriz para Simone Spoladore em Não se pode viver sem amor, melhor roteiro para Dani Patarra e Jorge Durán, por Não se pode viver sem amor e melhor fotografia para Luis Abramo, por Não se pode viver sem amor.
A seleção poderia ter uma variedade maior de filmes com sensibilidade e técnica. Houve uma enxurrada de documentários, alguns muito bons, outros nem tanto e as ficções estavam meio sem vida, o que explica a vitória de Bróder que, mesmo possuindo alguns probleminhas de roteiro, é um filme em que se sente a emoção depositada tanto durante a projeção quanto nos depoimentos emocionados do diretor Jeferson De. Incentivos como esse faltaram à ficção brasileira.
Embora a mostra competitiva de longa brasileiro tenha se encaminhado dessa maneira, a mostra de curtas e de longas-metragem estrangeiros estava difícil de julgar devido à grande quantidade de filmes de qualidade.
O curta vencedor de melhor filme, Carreto de Cláudio Marques e Marilia Hughes foi um grande merecedor, embora a animação vencedora do prêmio especial do júri Os Anjos do Meio da Praça tenha me tragado para dentro com uma força dificilmente vista neste festival.
O longa estrangeiro vencedor de melhor filme, Mi Vida Con Carlos, mostrou uma grande sensibilidade relatando o resgate das memórias do falecido pai de Germán Berger. Entretanto, continuo achando que o prêmio de melhor roteiro para La Vieja de Atrás de Pablo Meza não fez jus à beleza deste filme.
A Mostra Panorâmica, aberta ao público e exibida na parte da tarde durante o festival, foi julgada exclusivamente pelos integrantes do júri-estudantil. Filmes inteligentes e de muito conteúdo (alguns até melhores que os da mostra competitiva) foram vistos por nós. Dou grande destaque para Os Inquilinos de Sérgio Bianchi, filme forte com um enredo inteligente e personagens bem construídos, que trata sobre a vida de um pai de família tentando protegê-la dos males presentes no subúrbio.
Nossa escolha de Melhor Filme da Mostra Panorâmica foi Terra Deu, Terra Come de Rodrigo Siqueira. Um documentário muito bem construído sobre a vida de antigos cidadãos do sertão mineiro, misturando suas culturas locais, sonhos e fantasias à realidade. O filme apresenta a forma com que a celebração fúnebre de João Batista – falecido com 120 anos – resgata as memórias culturais de um povo com raízes africanas.
Minha experiência como integrante do júri-estudantil foi ótima e agradeço muito pela oportunidade de aprender e conhecer as novas tendências do cinema brasileiro. Mas deixo um recado para a nova geração de cineastas: não se deixem impressionar com algo que, na verdade, não os impressiona. Festivais são concursos de filmes e não de tentativas de parecer inteligente. A melhor forma de ser notado é ser sincero consigo e buscar a ligação que está na essência dessa profissão: a paixão legítima pela sétima arte.
Uma foto para registrar o momento:

Cade a foto amore… acho que tu tem pelo menos uma para mostrar o momento. bjaunn