O Leitor que não Muda

filme_o-leitor_cartaz2O filme “O Leitor” de Stephen Daldry, adaptação do livro homônimo de Bernhard Schlink, retrata a conturbada história de amor de Michael e Hanna, que inicia com uma grande diferença de idade; Michael tem 15 anos e Hanna 36. O relacionamento é uma troca fria de favores: Ele transmite cultura à companheira e ela lhe ajuda com amadurecimento sexual e psicológico. No entanto, após um verão de relacionamento intenso e submisso, Michael vê-se abandonado por Hanna, aparentemente sem motivo algum.

Anos depois, Michael, agora estudante de Direito, reencontra-a em um tribunal que acusa antigas guardas nazistas principalmente pela morte de aproximadamente 300 mulheres judias. E é aí que a história degringola.

A obra literária já possui problemas de narrativa, pois o drama criado na primeira parte do livro não corresponde emocionalmente às resoluções que seguem.
O cerne do problema está no protagonista pouco ativo, Michael, que não persegue seu objetivo.
Está certo que a própria história impõe que o personagem é covarde, mas a falta de transformação moral do protagonista é o que derruba a tensão bem construída no início do livro ou do filme.

A adaptação cinematográfica peca no mesmo aspecto. Existiram tentativas do roteirista de elaborar uma leve mudança no caráter de Michael, no entanto, as alterações não são suficientemente fortes para explorar a dramaticidade que poderia haver.

A ideia central do mistério que envolve a personagem e de sua condenação, pode ser considerada banal, quando ela ou Michael poderiam muito bem entrar em acordo e contá-lo na corte. No filme há uma tentativa de fazer com que o personagem tente conversar com Hanna, orientado por seu professor de Direito que isso era o certo a fazer, mas a covardia não o deixa realizar o ato.

O pior é que no livro isso nem é feito. O protagonista vai pedir conselhos ao seu pai se deve contar à corte sobre o segredo dela ou não, seu pai lhe diz que não e ele não vai. Ora, se isso é jeito de se fazer uma história, um personagem passivo sem atitude nem para dar um clímax ao enredo.

Apesar de adotar o roteiro clássico e não conseguir cumpri-lo, pode ser que o filme seja realista, verossímil com o mundo real. Pois existe a possibilidade de irmos ao cinema para ver alguém mudar apenas porque nós não mudamos.

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Um comentário para “O Leitor que não Muda”

  1. Antes de falar sobre esse surpreendente post, irei falar sobre a grande qualidade do seu blog. Enfim encontrei o que necessitava conhecer sobre isso de uma maneira concisa e direta. Continuarei seguindo seu blog enquanto continuar com o ótimo trabalho. Meus cumprimentos!

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