Persepolis

persepolis1Persepolis é um filme de 2007, dirigido por Vincent Parannaud e escrito por Marjane Satrapi, que conta sua autobiografia baseada na HQ de mesmo nome.

O que chama atenção na estética do filme é justamente a maneira simples e bela com que é feita a animação, quase toda em preto e branco, linhas bem traçadas e a forma quase infantil dos desenhos.
Muito diferente dos desenhos “ultra-tecnológicos”, em 3D que circulam pela mídia hoje em dia, Persepolis depõe essa ideia de que boa animação é cheia de efeitos e formas bem próximas da realidade.
A própria Marjane recusou recursos oferecidos para tornar o desenho mais real. E vendo o resultado, enxergamos o por que desta escolha.
Isto tornou-se a meta dos desenhistas atualmente, igualar uma animação à vida real. A magia de um desenho tem sido esquecida, pois, estamos tão fixados no que a tecnologia pode nos proporcionar que queremos construir universos idênticos ao nosso e esquecemos de ampliar nossa capacidade criativa que apenas as coisas simples podem oferecer. Por que criar algo que podemos ver todo dia se podemos fazer com que a nossa imaginação seja vista?
De fato, se a história fosse mostrada de uma forma mais convencional não seria tão interessante.

O filme narra a história de Marjane Satrapi, ainda menina, que mora no Irã e presencia fatos conturbados como a Revolução Islâmica, com a queda do regime do Shah que mantinha uma política ditatorial opressiva com infiltração dos costumes ocidentais impostos pelas nações capitalistas como EUA e Reino Unido. Isso gerou uma revolta que culminou na política teocrática ainda presente na região.

A animação ilustra bem a esperança da família de Marjane a respeito da nova república e a frustração quando viram como ia terminar a situação.
Acostumada com uma vida livre, Marjane começa a sentir-se presa com os novos hábitos; o véu, a proibição de festas, do álcool e o pudor excessivo.

A rebeldia de Marjane

A rebeldia de Marjane

Marjane, desde pequena lutou por seus ideais. Quando o tio é preso e morto ela se revolta e questiona o posicionamento das irmãs religiosas que lecionam na escola, alegando que no novo regime não há prisioneiros políticos.
Tanta rebeldia acaba lhe rendendo um passaporte para a Aústria, pois seus pais veem que a situação ficaria difícil demais para a garota suportar.

Lá a menina passa sua adolescência cercada pela cultura alternativa, mas quando se depara com o pensamento de falta de sentido na vida que seus amigos punks tanto pregam, se decepciona e sente-se deslocada.

Marjane e seu namorado canalha

Marjane e seu namorado canalha

A questão das paixões adolescentes de Marjane é mostrada de uma forma bem divertida. Com um “dedo podre” para homens ela vai de um primeiro amor por um homossexual a um namorado que a trai, o que lhe rende uma boa depressão e um longo período morando nas ruas.

Frágil e doente, ela retorna para Teerã, sua cidade natal, onde, mesmo com a repressão da sociedade, reencontra suas forças para lutar contra as injustiças e retomar sua vida.

Após um casamento que termina em divórcio, Marjane decide, com a ajuda dos pais, que deve ir para a França onde pode expor melhor sua criatividade e ideias.

Como muitos filmes baseados em histórias reais, o final fica meio “no ar”, mas não se pode julgar o filme inteiro apenas pelo fim, pois afinal, a história não terminou ainda.

Persepolis é muito cativante, com seus personagens carismáticos e enredo real e sensível, permeado por política, opressão, adolescência e uma longa busca por auto-conhecimento.

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