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Adeus, Lenin!

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Adeus, Lenin! é um filme de Wolfgang Becker que retrata a vida de uma família alemã passando pelo período da queda do Muro de Berlim.

A mãe de Alex, o rapaz da família, é uma socialista entusiasta, que defende com ardor o regime. Quando encontra seu filho em uma manifestação contra o Muro sofre um ataque cardíaco e entra em coma e nele permanece durante meses. Não acompanha todo o desenrolar dos protestos e não presencia nem mesmo a queda do Muro.

Ao acordar do coma, ela está debilitada e precisa de repouso e passar uma temporada longe de emoções fortes, o que se torna um grande obstáculo para Alex, que precisa esconder toda a situação política do seu país para não chocar sua mãe.

O filme é uma comédia porque as formas que o Alex utiliza para esconder a

Alexander Kerner (Daniel Brühl) e Christine Kerner (Katrin Sab), a mãe socialista.

Alexander Kerner (Daniel Brühl) e Christine Kerner (Katrin Sab), a mãe socialista.

verdade de sua mãe trazem a graça para o filme. Enquanto ela apenas quer saber o que aconteceu durante o tempo que esteve dormindo, a mentira resolve esse problema, mas quando começa a querer ver televisão e atualizar-se surge mais um obstáculo. Por isso, Alex até cria um canal de televisão exclusivo, com a ajuda de seu amigo cineasta, que passa reportagens repetidas sobre o socialismo. Outra fato desse tipo acontece quando ela deseja comer coisas de marcas que só existiam na Alemanha Oriental e Alex precisa procurar e dar um jeito de trocar rótulos novos por antigos, etc.

O filme é bem didático, tanto que logo depois que vi, soube que minha irmã assistiu na escola, para explicar melhor a Queda do Muro e sobre Alemanha Oriental e Ocidental. Isso foi o que mais gostei dele, adoro História.

Mas, em suma, o filme é meio fraquinho. Os momentos engraçados e históricos tornam-o divertido, mas em questão de psicologia não é muito grandioso.

Ah, tem um momento que é o mais dramático do filme, quando Alex e sua irmã descobrem o que realmente aconteceu com seu pai. Segundo o que sua mãe lhes contara, enquanto ele trabalhava lá pelos lados da Alemanha Ocidental, se envolveu com uma mulher e foi embora, largando esposa e filhos. No entanto, depois ela revela que ele estava tendo dificuldades em conseguir trabalho e por isso, foi para a Alemanha Ocidental. O plano era de que após as coisas se ajeitarem, ela e os filhos seguiriam para lá também, mas o seu patriotismo é maior que o amor à família junta e para não ter que se desfazer de sua pátria socialista, se mantém no lado Oriental, e sustenta essa mentira quase até sua morte.

Quando isto é revelado, gera revolta, mas sabe como é né, filhos sempre perdoam e como não perdoar uma mulher que poderia morrer a qualquer momento?

E de fato morre. Revelam-lhe sobre o que realmente aconteceu em relação à unificação da Alemanha, mas ainda meio mascarado. Alex forja um noticiário que diz que agora a Alemanha toda é oriental e que os ideiais socialistas podem espalhar-se, começando pelo lado Ocidental. Interessante é ver como ele tenta até o fim poupar sua mãe do sofrimento de saber que tudo o que ela acreditava já não existia, e continuar crendo no sonho de uma pátria socialista por inteiro.

A pobre mãe, pelo menos, morre feliz.

Não pude deixar de notar que havia uma enorme semelhança na trilha sonora de Adeus,Lenin! e O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Acredito que tenha uma música que é até usada para os dois filmes. Trilha sensível e excelente feita pelo francês Yann Tiersen, mas que pessoalmente acho que casa melhor com o Amélie Poulain mesmo, por ser um filme muito mais delicado.

Ok, resumindo, o filme é bem idealista em questão de política, didático, histórico, aliás todos esses pontos são muito bem abordados,  mas no roteiro falta aquilo, sabe? Um pouquinho mais de intensidade e psicologia fariam dele um filme bem legal, mas a escolha foi por um filme leve e assim, diferente de outros filmes de aspecto histórico, ele fica gravado, levemente, na nossa memória .

The Wall

quinta-feira, 23 de abril de 2009

the_wall_cadeiraTá aí um clássico que eu tenho vergonha de dizer que não tinha visto.

Digamos assim, é um filme de feeling. Quem tem uma visão mais abstrata, artística dos conflitos do mundo e do ser humano entende e se identifica, quem leva as coisas mais pro lado literal acha uma droga. É gente, tem que ter tutano pra captar a linguagem do filme.

É o tipo de filme que se pode tirar sempre um pouquinho mais em cada vez que se vê. Vi duas vezes e só entendi direitinho na segunda.

Isso acontece por que é uma história de duas faces: o que acontece no mundo real e o que acontece no imaginário do personagem Pinky.

O Pinky é um cara cheio de  traumas que se refletem em toda sua vida adulta. Um prato cheio pra Psicologia.

Mas o histórico da vida dele  não é assim fácil de perceber. A princípio o filme tem vários personagens diferentes: o cara vegetativo na frente da TV, um garotinho que perdeu o pai, o menino poeta que é ridicularizado na escola e.. bom acho que são esses. E esses casos não seguem uma sequencia cronológica, mas vão aparecendo misturados, mesclados uns com os outros, cada um dizendo respeito ao seu personagem. É isso que faz a surpresa de perceber que todos eles são um só, o pobre coitado do Pinky.

O filme é ótimo porque não se fixa em apenas um ponto, um tema, como o resto dos filmes costuma fazer. Ele trata de variados assuntos com capricho, sem deixar o nível cair em nenhum deles. Exemplos? Ora, muitos. O longa tem um cunho psicológico/emocional nunca saindo dessa linha, relatando dificuldades de relações interpessoais, superproteção, casamento, ausência paterna, tudo com o muito já citado feeling.

A parte política (que eu pensei que não fosse me interessar tanto) é uma beleza também. Tipo, fala muito da Segunda Guerra onde o pai do Pinky morreu, com uma animação muito intrigante e triste, Goodbye Blue Sky que eu vou deixar postado aqui. É mostrado mais o lado da Inglaterra quando andava sendo bombardeada. Acho muito interessante a analogia das pessoas correndo como macacos, com máscaras que protegem de gás  tóxico, sem saber pra onde vão ou por que estão se escondendo.

E quem não conhece Another Brick in the Wall? Pra mim antes era só um protesto contra o sistema educacional, muito bem feito por sinal, mas encaixado no conceito do filme, mostrando que o professor era um baita frustrado que tinha que literalmente “engolir caroço de azeitona” porque a mulher mandava, fica muito mais interessante.

Sem falar nas crises psicológicas relatadas, que cara, emocionam mesmo. É muito falado (tanto que é o assunto principal que traz o nome The Wall) o tema de se sentir ameaçado pelas pessoas, achar que somos pouco e facilmente magoáveis e a tentativa de se proteger disso construindo um “muro” – The Wall. Só que acontece que essa muralha de proteção, esse forte, acaba se tornando uma prisão e causando uma alienação irreversível no personagem. Nisso eu me identifiquei por uma época que eu tentei não ter tantos sentimentos, pra não me estressar e me magoar e agradeço por ter saído dessa.

A loucura chega a tal ponto que o Pinky começa a ter umas viagens (com o auxílio de umas droguinhas) de um universo paralelo dentro da cabeça dele em que ele se torna um ditador e depois é julgado e tem a sua “muralha” quebrada e todas as suas fraquezas expostas.

Bom, era só um comentário mas acabei contando todo o filme.  Desculpe quem ainda não viu, mas não perca a vontade de ver porque vale a pena ;) .

Fica aí o vídeo de Goodbye Blue Sky só pra dar um gostinho.

Crepúsculo: Livro x Filme

segunda-feira, 2 de março de 2009

Existe uma regra quase inquebrável que diz que um filme nunca se iguala ao livro. Pois bem.  Até pouco tempo não tinha presenciado nada que contextasse essa regra. Realmente, mesmo que o filme seja divino o livro é sempre melhor. Isso se prova com toda a série Harry Potter, Entrevista com o Vampiro talvez, embora o filme seja ótimo,  O Código da Vinci, etc. Mas Crepúsculo me surpreendeu.

Li o livro sem muito deslumbre e sem ser afetada pela modinha ” Twilight” do momento. Achei uma história boa. Não espetacular, mas boa. O que estragava um pouco era a linguagem mela-cueca usada pela autora. Talvez para dar mais ênfase que era uma garota apaixonada que narrava a história, em todo o caso, me pareceu que da metade do livro pro final, não se passava uma linha sem a Bella dizer o quanto o Edward era lindo, charmoso, misterioso, etc, etc.

Essa isca para pescar leitores adolescentes (embora eu seja adolescente) não me agradou muito. Poderia ser dado muito mais valor a outras questões psicológicas e ao suspense que falta na história. Eu não gosto de histórinhas sensacionalistas de aventura, mas a aventura em uma história com personagens imaginários como vampiros é muito necessária. É ela que faz a gente devorar um livro nas partes finais e decisivas.

Mas que ninguém entenda mal, eu não estou julgando a série toda pelo livro de estréia que geralmente tem certos defeitos ou não se comparam com os seguintes. Citando  como exemplo novamente o Harry Potter e a Pedra Filosofal. Esse livro foi o suficiente para render milhares ou milhões de fãs da saga, mas quando comparado com os outros percebe-se uma grande evolução na história.

É normal, o livro de estréia é quase que um teste, um experimento para ver como o público vai reagir e quando tem uma boa resposta é um ótimo sinal.

 twilight3.jpg Twilight Movie Poster picture by iconswimming

Mas voltando à comparação do livro com o longa-metragem, eu estava meio hesitante para ir ao cinema ver Crepúsculo, justamente por achar que o filme seria muito pior, mas parece que os roteiristas, diretores e toda a equipe de filmagem captou o que faltava na história original: Suspense.

No filme, o vampiro rastreador assassino não aparece assim num passe de mágica como no livro. Acho que compreenderam que ele é um personagem importante, merecia mais que aparecer assim do nada, precisava de uma introdução. E essa introdução se dá mostrando os ataques e as investigações da polícia sobre algumas mortes que estão ocorrendo nos arredores da cidade. Dessa forma, a história ficou muito mais centrada, com maior entendimento de toda a perseguição que a Bella é vítima.

No cinema é comum ver a questão de relacionamentos ressaltada para chamar mais a atenção do público, mas quando o assunto principal já é a relação amorosa não é necessário tanto destaque, outros fatores também fazem um bom filme.


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