Adeus, Lenin! é um filme de Wolfgang Becker que retrata a vida de uma família alemã passando pelo período da queda do Muro de Berlim.
A mãe de Alex, o rapaz da família, é uma socialista entusiasta, que defende com ardor o regime. Quando encontra seu filho em uma manifestação contra o Muro sofre um ataque cardíaco e entra em coma e nele permanece durante meses. Não acompanha todo o desenrolar dos protestos e não presencia nem mesmo a queda do Muro.
Ao acordar do coma, ela está debilitada e precisa de repouso e passar uma temporada longe de emoções fortes, o que se torna um grande obstáculo para Alex, que precisa esconder toda a situação política do seu país para não chocar sua mãe.
O filme é uma comédia porque as formas que o Alex utiliza para esconder a

Alexander Kerner (Daniel Brühl) e Christine Kerner (Katrin Sab), a mãe socialista.
verdade de sua mãe trazem a graça para o filme. Enquanto ela apenas quer saber o que aconteceu durante o tempo que esteve dormindo, a mentira resolve esse problema, mas quando começa a querer ver televisão e atualizar-se surge mais um obstáculo. Por isso, Alex até cria um canal de televisão exclusivo, com a ajuda de seu amigo cineasta, que passa reportagens repetidas sobre o socialismo. Outra fato desse tipo acontece quando ela deseja comer coisas de marcas que só existiam na Alemanha Oriental e Alex precisa procurar e dar um jeito de trocar rótulos novos por antigos, etc.
O filme é bem didático, tanto que logo depois que vi, soube que minha irmã assistiu na escola, para explicar melhor a Queda do Muro e sobre Alemanha Oriental e Ocidental. Isso foi o que mais gostei dele, adoro História.
Mas, em suma, o filme é meio fraquinho. Os momentos engraçados e históricos tornam-o divertido, mas em questão de psicologia não é muito grandioso.
Ah, tem um momento que é o mais dramático do filme, quando Alex e sua irmã descobrem o que realmente aconteceu com seu pai. Segundo o que sua mãe lhes contara, enquanto ele trabalhava lá pelos lados da Alemanha Ocidental, se envolveu com uma mulher e foi embora, largando esposa e filhos. No entanto, depois ela revela que ele estava tendo dificuldades em conseguir trabalho e por isso, foi para a Alemanha Ocidental. O plano era de que após as coisas se ajeitarem, ela e os filhos seguiriam para lá também, mas o seu patriotismo é maior que o amor à família junta e para não ter que se desfazer de sua pátria socialista, se mantém no lado Oriental, e sustenta essa mentira quase até sua morte.
Quando isto é revelado, gera revolta, mas sabe como é né, filhos sempre perdoam e como não perdoar uma mulher que poderia morrer a qualquer momento?
E de fato morre. Revelam-lhe sobre o que realmente aconteceu em relação à unificação da Alemanha, mas ainda meio mascarado. Alex forja um noticiário que diz que agora a Alemanha toda é oriental e que os ideiais socialistas podem espalhar-se, começando pelo lado Ocidental. Interessante é ver como ele tenta até o fim poupar sua mãe do sofrimento de saber que tudo o que ela acreditava já não existia, e continuar crendo no sonho de uma pátria socialista por inteiro.
A pobre mãe, pelo menos, morre feliz.
Não pude deixar de notar que havia uma enorme semelhança na trilha sonora de Adeus,Lenin! e O Fabuloso Destino de Amélie Poulain. Acredito que tenha uma música que é até usada para os dois filmes. Trilha sensível e excelente feita pelo francês Yann Tiersen, mas que pessoalmente acho que casa melhor com o Amélie Poulain mesmo, por ser um filme muito mais delicado.
Ok, resumindo, o filme é bem idealista em questão de política, didático, histórico, aliás todos esses pontos são muito bem abordados, mas no roteiro falta aquilo, sabe? Um pouquinho mais de intensidade e psicologia fariam dele um filme bem legal, mas a escolha foi por um filme leve e assim, diferente de outros filmes de aspecto histórico, ele fica gravado, levemente, na nossa memória .